
«É mais difícil descrever a realidade do que a ficção. A ficção tem que fazer sentido»
18 de agosto de 2006
15 de agosto de 2006
Directamente de Maceió, Estado de Alagoas, Brasil, chegam as primeiras fotos...
27 de julho de 2006
12 de julho de 2006
5 de julho de 2006
4 de julho de 2006
Receita de mulher
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República [Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da [aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que tudo seja belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Eluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como ao âmbar de uma tarde. Ah, deixai-e dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) e também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é, porém, o problema das saboneteiras: uma mulher sem [saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteie em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de 5 velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de [coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima [penugem
No entanto, sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca [inferior
A 37° centígrados podendo eventualmente provocar queimaduras
Do 1° grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro da paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que, se se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas.
Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer [beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ele não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.
1 de julho de 2006
Soneto a Quatro Mãos
Tudo que fala em mim de amor foi dito
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.
.
Tão prodígo de amor fiquei coitado
Tão facil para amar fiquei proscrito
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.
.
Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.
.
Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.
29 de junho de 2006
«Ontem, a Lusa disse que no julgamento do processo Casa Pia foi ouvido um inspector da PJ sobre escutas a Paulo Pedroso. Diz a notícia: “Nas escutas há, designadamente, uma conversa entre Paulo Pedroso e o ex-juiz Simões de Almeida onde se refere que Carlos Cruz teria ‘comprado’ a capa da revista ‘Focus’.”
Comprado, na notícia, vem entre aspas. Na altura, eu era director da ‘Focus’. Um jornalista que se deixa comprar, com aspas ou sem, é um canalha. Um advogado pediu para eu ser ouvido, como testemunha, e eu vou a Tribunal dizer coisa simples. Ou aquela referência não existe, e quem a inventou vai levar um par de bofetadas em público. Ou existe e quem a disse (de ex-ministro a ex-juiz) vai levar um par de bofetadas. É só. É tempo de este caso começar a ter ideias simples.»
As "bofetadas" de Ferreira Fernandes
Sou acérrimo leitor das crónicas e dos livros que, Ferreira Fernades, vai escrevendo. Sempre o tive e continuarei a ter como um dos melhores jornalistas portugueses. Sempre o admirei e admiro pela sua escrita íntegra, isenta e acima de tudo reveladora de uma grande honestidade intelectual. Nem sempre concordo com ele mas sempre respeitei a sua opinião.
Ferreira Fernades resume o que deve ser um bom jornalista. Que continue sempre assim e se para tal forem precisas bofetadas que seja.
Um Abraço!
28 de junho de 2006
"Soneto da Separação" #2
27 de junho de 2006
Soneto da separação
De repente, não mais que de repente
26 de junho de 2006
"Os livros mudam o destino das pessoas."
(...)
Repare, não é qualquer um que escreve. Quer dizer: não o deveria fazer.
(...)
Confesso que algumas reflexões me tentaram, mas um leitor é um viajante através de uma paisabem que se foi fazendo. E é infinita. A árvore foi escrita, e a pedra, e o vento na ramaria, a saudade dessas ramagens e o amor ao qual emprestou a sua sombra. E não encontro melhor sina que percorrer, em poucas horas diárias, um tempo humano que, de outro modo, me seria alheio. Não chega uma vida para percorrê-lo. Roubo a Borges metade de uma frase: uma biblioteca é uma porta no tempo.»
20 de junho de 2006
Obrigado
Obrigado a quem, do "tecto do mundo", nos dá o prazer da sua presença e companhia, sempre assíduas.
14 de junho de 2006
O fantástico "mundo" do Google Earth
6 de junho de 2006
Mia Couto
3 de junho de 2006
A pena de morte como factor dissuasor da criminalidade
"Outra explicação para a diminuição do crime é frequentemente citada a para da prisão: o aumento da aplicação da pena de morte. O número de execuções nos Estados Unidos quadruplicou entre os anos 80 e os anos 90, conduzindo muitas pessoas a concluir (...) que a pena de morte ajuda a diminuir o número de crimes."
"Em primeiro lugar, dada a pouco frequência com que as execuções são levadas a cabo neste país [Estados Unidos da América] e a enorme demora em aplicá-las realmente, nenhum criminoso razoável deveria ficar intimidado com a ameaça de execução. Embora a pena capital tenha quadruplicado no espaço de uma década, houve «apenas» 478 execuções em todo os Estados Unidos durante os anos 90. (...) O Estado de NY, por exemplo, não registou uma única execução desde que voltou a instituir a pena de morte, em 1995. Até mesmo entre os prisioneiros do corredor da morte, a taxa de execução anual é «apenas» de dois por cento - o que é muito pouco comparado com os sete por cento de probabilidade de morte enfrentada todos os anos por um membro da quadrilha negra de tráfico de droga (...). Se a vida no corredor da morte é mais segura do que a vida nas ruas, é difícil de acreditar que o medo da execução seja uma força motriz nos cálculos de um criminoso."
(...)"A segunda falha no argumento da pena de morte é ainda mais óbvia. Pensemos por um momento que a pena de morte é um facto de dissuasão. Quantos crimes é que ela, na realidade, dissuade de praticar? O economista Isaac Ehrlich, num artigo
ciêntífico de 1975, muitas vezes citado, avança uma estimativa que é geralmente considerada optimista: a execução de um criminoso traduz-se em menos sete homicídios que o criminoso poderia ter cometido. Agora, façamos as contas. Em 1991, houve quatorze execuções nos Estados Unidos; em 2001, houve sessenta e seis. De acordo com os cálculos de Ehrlich, essas cinquenta e duas execuções a mais teriam evitado trezentos e sessenta e quatro homicídios em 2001 - um número que não é desprezível, claro, mas que representa menos de quatro por cento da diminuição real de homicídios nesse ano. Assim, mesmo na melhor das hipóteses, para um defensor da pena de morte, esta apenas poderia explicar vinte e cinco avos da queda do número de homicídios nos anos 90. E, uma vez que a pena de morte raramente é aplicada a crimes diferentes do homicídio, o seu efeito
dissuasor não pode ser tomado em consideração para o declínio dos outros crimes
violentos.""É, pois, extremamente improvável que a pena de morte, tal como é aplicada nos Estados Unidos, exerça qualquer influência real nas taxas da criminalidade."
1 de junho de 2006
27 de maio de 2006
Afinal quem nasceu primeiro foi.. o ovo!
Em resumo, o argumento é de que o material genético não se transforma durante a vida do animal. Portanto, a primeira ave que no decorrer da evolução se tornou o que hoje chamamos de galinha existiu primeiro como embrião no interior de um ovo.
Para Brookfield, a situação é clara. O organismo vivo no interior do ovo tinha o mesmo DNA que o animal no qual ele se transformaria. Assim, "a primeira coisa viva que podemos qualificar sem medo de engano como membro dessa espécie é o primeiro ovo", argumenta.
David Papineau, um especialista em filosofia da ciência do King´s College de Londres, concorda. O primeiro frango saiu de um ovo. É um erro, segundo ele, pensar que o primeiro ovo de galinha foi um mutante produzido por pais de outra espécie.
"Se dentro do ovo existe um frango, então é um ovo de galinha. Se um canguru pusesse um ovo, e dele saísse um avestruz, o ovo seria de avestruz e não de canguru", disse Papineau.
O jornal cita ainda Charles Bourns, granjeiro e presidente de uma entidade do setor avícola, que quis contribuir para o debate. "Os ovos existiam antes de nascer o primeiro pintinho. Claro que talvez não se parecessem com os de hoje", disse.
10 de maio de 2006
Omar Khayyam
"Todos sabem que eu nunca murmurei uma oração.
Todos sabem que nunca tentei dissimular os meus defeitos.
Ignoro se existe uma Justiça e uma Misericórdia...
Entretanto, tenho confiança, porque sempre fui sincero."
(...)
"Os nossos dias fogem tão rápidos como àgua do rio ou vento do deserto.
Entretanto, dois dias me deixam indiferentes:
O que passou e o que virá amanhã."
Ele foi famoso em vida como o matemático e astrônomo que calculou como corrigir o calendário persa. O seu calendário tinha uma margem de erro de um dia a cada 3770 anos. Contribuiu em álgebra com o método para resolver equações cúbicas pela intersecção de uma parábola por um círculo, que viria a ser retomada séculos depois por Descartes.
A filosofia de Omar Khayyam era bastante diferente dos dogmas islâmicos oficiais. Concordou com a existência de Deus mas se opos à noção que cada acontecimento e fenômeno particular era o resultado de intervenção divina. Em vez disso ele apoiou a visão que leis da natureza explicam todos fenômenos particulares da vida observada.
Como poeta é conhecido pelo Rubaiyat, que ficaria famoso a partir da tradução de Edward Fitzgerald em 1839. - fonte: Wikipédia).
9 de maio de 2006
I'll Back You Up
I'll go on forever only knowing
I'll see you again
But I know
The touch of you is so hard to remember
But like that touch
I know no other
And for sure we have danced
In the risk of each other
Would you like to dance
Around the world with me
I'll be falling all about my own thing
And I know your the heaviest weight
When your not here that's hung
Around my head
And your lips burn wild
Thrown from the face of a child
And in your eyes
The seeing of the greatest view
Do what you will, always
Walk where you like, your steps
Do as you please, I'll back you up
I remember thinking
Sometimes we walk
Sometimes we run away
But I know
No matter how fast we are running
Somehow we keep
Somehow we keep up with each other
I'll be falling all about my own thing
And i know your the heaviest weight
When your not here that's hung
Around my head
And your lips burn wild
Thrown from the face of a child
And in your eyes
The seeing of the greatest view
Do what you will, always
Walk where you like, your steps
Do as you please, I'll back you up
28 de abril de 2006
A Justiça Portuguesa em 1487
"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos.Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres".
"El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de Ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo".
18 de abril de 2006
A relatividade do Amor
Versos de orgulho
Tem asas como eu tenho! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.
Porque o meu Reino fica para além ...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus!
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém!
O mundo? O que é o mundo, ó meu Amor?
__O jardim dos meus versos todo em flor ...
A seara dos teus beijos, pão bendito ...
Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços ...
__São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.
14 de abril de 2006
Pela luz dos olhos teus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.
12 de abril de 2006
A Volta do Malandro
Caminhando na ponta dos pés
Como quem pisa nos corações
Que rolaram dos cabarés
Entre deusas e bofetões
Entre dados e coronéis
Entre parangolés e patrões
O malandro anda assim de viés
Deixa balançar a maré
E a poeira assentar no chão
Deixa a praça virar um salão
Que o malandro é o barão da ralé
11 de abril de 2006
O malandro
Na sarjeta/Do país
E quem passa/Acha graça
Na desgraça/Do infeliz
O malandro/Tá de coma
Hematoma/No nariz
E rasgando/Sua bunda
Uma funda/Cicatriz
O seu rosto/Tem mais mosca
Que a birosca/Do Mané
O malandro/É um presunto
De pé junto/E com chulé
O coitado/Foi encontrado
Mais furado/Que Jesus
E do estranho/Abdômen
Desse homem/Jorra pús
O seu peito/Putrefeito
Tá com jeito/De pirão
O seu sangue/Forma lagos
E os seus bagos/Estão no chão
O cadáver/Do indigente
É evidente/Que morreu
E no entanto/Ele se move
Como prova/O Galileu
Kurt Weill - Bertolt Brecht
versão livre de Chico Buarque/1977-1978
Para a peça Ópera do malandro, de Chico Buarque
9 de abril de 2006
Ao serão
Ao Jantar
Mostrou-se estar à altura, com a sua "cor rubi intensa, o seu aroma a frutos vermelhos com notas de baunilha e sabor encorpado e aveludado".
Só faltou, mesmo, uma bela companhia para a conversa, para ajudar na degustação.
Pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
7 de abril de 2006
Goethe
"Todos os dias devíamos ouvir um pouco de música, ler uma boa poesia, ver um quadro bonito e, se possível, dizer algumas palavras sensatas..."
O Falhado
Para saber, siga os passos abaixo:
- Vá ao site www.google.pt;
- Escreva a palavra "failure" (Falhado);
- Em vez de carregar em "pesquisar google", clique em "sinto-me com sorte".
Bíblico-Jurídico
6 de abril de 2006
O Roupão
5 de abril de 2006
2 de abril de 2006
A Coxa
Tinha, coitada, uma perna menor que a outra
E pareceu-me ler-lhe nos lábios, nas roupas, no olhar,
O esforço desmedido de quem luta pelo impossível equilíbrio.
Todos corriam, atarefados, em todas as direcções,
Tensos com a vida, decididos, derrotados.
Alguns carregavam pesadíssimos sacos de compras
E planeavam mentalmente o jantar para a família.
Um par de namorados argumentava, cerradamente, sobre coisas sérias,
Toldavam-se, contidamente, em gestos, palavras e expressões.
A coxa parara junto a uma montra de revistas...
Descansava.
Então, um rapaz segurou-a por trás, pela cintura,
Beijou-a e pronunciou um "meu amor" seguro.
A lágrima contida já se soltara do olhar dos namorados...
Colando mais um cigarro incandescente aos meus lábios enxutos,
Fiquei quieto, muito quieto, a pensar...
Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei."
30 de março de 2006
Andorinha
— "Passei o dia à toa, à toa!"
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa . . .
Para jantar
Espera-se um serão agradável e descontraído na companhia de todos os convivas.
A todos, um bom jantar!
25 de março de 2006
"There she Blows!"*
Uma ida recente à livraria "trouxe-me" um romance antigo, "Moby Dick" de Herman Melville, numa edição da Relógio D'Água, numa tradução de Alfredo Margarido e Daniel Gonçalves.
Apesar de conhecer a história, nunca havia lido o romance. Pelo que já tive oportunidade de ler, a tradução parece-me boa e prende-nos à sua leitura.
22 de março de 2006
17 de março de 2006
A injúria
- Meritíssimo, e chamar senhora a uma vaca, pode?
- Com toda a certeza que sim. - Informa o Merítissimo.
Virando-se para a ofendida, levando a mão ao chapéu e em jeito de despedida, diz o arguido:
- Boa tarde, minha senhora!
Caricaturas II
16 de março de 2006
Caricaturas...
Nota aos fundamentalistas e/ou extremistas:
As caricaturas ora publicadas não pretendem demonstrar o desrespeito, de quem as publica, de quaisquer crenças religiosas ou dogmas. Pois não foram tomadas como ofensivas ou desrespeitosas.
Caso assim não sejam entendidas por V.Exas., e antes que seja tomada qualquer medida drástica ou sevícia contra quem as publica, é favor avisar a fim de serem as mesmas "despublicadas".
A gerência agradece.
6 de março de 2006
2 de março de 2006
Pardalzinho
26 de fevereiro de 2006
Para completar, e ainda à espera da companhia de quem mo ofereceu, para ser aberto, está um Meia Encosta 1995, Dão.
23 de fevereiro de 2006
Código de Conduta
Ainda as caricaturas...
15 de fevereiro de 2006
A laranja e o Direito
"Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Exceto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar...)."(...)
Álvaro de Campos
13 de fevereiro de 2006
Ser Feliz
mas não esqueço que minha vida é a maior empresa do mundo,
e que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
12 de fevereiro de 2006
Apesar de tudo o que se tem passado e passa no mundo pelos dias de hoje, sinto uma vontade incrível em não postar, não comentar ou, sequer criticar... Será talvez a consciência da impotência de conseguir mudar o que quer que seja. Ou talvez, por desilusão e descrença generalizadas.... Ou talvez, seja mesmo é preguiça.
7 de fevereiro de 2006
Os Cartoons e a liberdade de expressão
Parece-me não se poder tomá-la como absoluta. Terá os limites do que, em consciência, se sabe ser ofensivo para o caricaturado.
19 de janeiro de 2006
18 de janeiro de 2006
A Remissão
Absolutamente, fora de série.
(Aqui, em Pásargada, permito-me ser soberano na minha opinião e, tiranicamente, não dar o benefício da dúvida. Aqui, sou amigo do Rei.)
17 de janeiro de 2006
Prémios Stella Awards
15 de janeiro de 2006
Ainda o Sr. PGR
Ainda sobre o o assunto do post anterior, para os que ainda não leram, partilho um postal que José António Barreiros, na sua clareza de espírito e sintese, escreveu no seu Blog "A Revolta das Palavras".
"Demitirem agora ou não o PGR, é coisa que só interessa aos políticos e à política, porque demitido está ele, de funções, de convicção, de cerdibilidade. Reina sim, sozinho e num palácio vazio, à espera de que acabe, enfim, o pesadelo do seu mandato. Os seus assassinos não tiveram que sujar as mãos, ele suicidiu-se."
14 de janeiro de 2006
Se não foi o MP que fez uma utilização indevida, ou procurou encontrar o que não interessava ser encontrado, que culpa terá o PGR ou o MP? Porque mais uma vez se manda para a berlinda quem culpa alguma tem e não se perseguem os verdadeiros culpados?
Muito simples, não interessa. O que importa é discutir estupida, cega e ignorantemente, de forma pouco ou nada séria.
11 de janeiro de 2006
10 de janeiro de 2006
Nas bocas do Mundo
As penas
7 de janeiro de 2006
Ano Novo
Aumentou o preço da gasolina, dos trasnportes, dos bens essenciais e de tudo o resto em geral.
Ainda bem que também aumentou o salário mínimo...
23 de dezembro de 2005
Boas festas
Por mim, regresso, até ao fim do ano, a Pasárgada. Lá sou amigo do Rei, não tem eleições presidenciais, crises na justiça nem discussões demagógicas. Lá todos falam e os problemas são resolvidos com frontalidade, as discussões são, sempre, com honestidade e total transparência.
Mas melhor que tudo isso, é que tenho a mulher que quero, na cama que escolherei.
Até breve.
24 de novembro de 2005
Coisas da igreja
Pergunto:
Não é pressuposto, da coisa, o celibato?
Ora, proibir aos homosexuais o exercício do sacerdócio não será permitir aos seus membros desfrutar o fruto proibido (seja ele qual for)?
5 de novembro de 2005
Às armas - II
Nesse particular, concordo com o que diz o seu bastonário aqui.
4 de novembro de 2005
Carta Aberta ao Sr. Ministro da Justiça
"Indecente" é a politica que V.ª Ex.ª e o Governo, de que faz parte, definiu para a Justiça.
Às armas
3 de novembro de 2005
Crise na/da Justiça - I
E, também pelo que me tenho vindo a aperceber, já se encontrou o culpado. É o Ministério Público.
Não concordo com a limitação da crise da Justiça à crise da Justiça Criminal.
29 de outubro de 2005
Curioso, não?
Curiosamente, nenhuma repercussão teve nos restantes órgãos da comunicação social.
25 de outubro de 2005
23 de outubro de 2005
"Eu não existo sem você"
"Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim / Que nada nesse mundo levará você de mim / Eu sei e você sabe que a distância não existe / Que todo grande amor / Só é bem grande se for triste / Por isso, meu amor / Não tenha medo de sofrer / Que todos os caminhos me encaminham pra você / Assim como o oceano / Só é belo com luar / Assim como a canção / Só tem razão se se cantar / Assim como uma nuvem / Só acontece se chover / Assim como o poeta / Só é grande se sofrer / Assim como viver / Sem ter amor não é viver / Não há você sem mim / E eu não existo sem você"
Vinícus de Moraes e António Carlos Jobim
20 de outubro de 2005
Invasão de (alguma) privacidade
Já por duas ou três vezes reparei em comentários publicitários, gerados automáticamente, inseridos com outros.
Não consigo deixar me sentir violado na minha privacidade com este tipo de publicidade. Um blog não deixa de ser público. Era e é essa a minha ideia, criar um sítio público, sem restrições e aberto a todas as opiniões, nunca a publicidade!
Daí que, e por forma a evitar esse tipo de abusos, a partir de agora todos os comentários terão de ser comprovados pela inserção de um código de segurança, que consiste em reproduzir, no lugar próprio, as letras indicadas. Nada de muito
A todos as minhas mais sinceras desculpas pelo inconveniente causado.
A gerência.
18 de outubro de 2005
Agradecimento
Aconteceu-me hoje. E foram talvez os melhores honorários que algumas vez recebi.
14 de outubro de 2005
12 de outubro de 2005
Irene
Irene boa
Irene sempre de bom humor.
Imagino Irene entrando no céu:
— Licença, meu branco!?
E São Pedro bonachão:
— Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.
10 de outubro de 2005
Será?
As Justiças
29 de setembro de 2005
Obras primas da literatura
Após ter lido-as quase todas, é esta a sua opinião:
Hostes de homens, chamdos heróis, que se estripavam durante dez anos a fio, sob a muralha de uma pequena cidade, por culpa de uma velha seduzida; a viagem de um vivo à fossa dos mortos, com o fim de falar mal dos mortos e dos vivos; um doido héctio e um doido gordo que vão mundo fora em busca de sovas; um guerreiro que perde o juízo por uma mulher e se diverte a arrancar azinheiros pelas selvas; um pulha cujo pai foi assassinado e que, para o vingar, faz morrer uma rapariga que o ama e outras personagens diversas; um diabo coxo que levanta os telhados de todas as casas para exibir as suas misérias; as aventuras de um homem de estatura média que faz de gigante entre os pigmeus e de anão entre os gigantes, sempre de modo inoportuno e ridículo; a odisseia de um idiota que, através de ridículas desventuras, sustenta que deste mundo é o melhor dos mundos possíveis; as peripécias de um professor demoníaco servido por um demónio profissional; a aborrecida história de uma adúltera provinciana que se enfastia e, por fim, se envenena; as surtidas loquazes e incompreensíveis de um profeta acompanhado de uma águia e de uma serpente; um rapaz pobre e febril que assassina uma velha e que depois - imbecil - nem seques sabe aproveitar uma alibi e acaba por cais nas mãos da polícia.
Em suma, obras de conteúdo antiquado, insensato, estúpido e extravagante."
Giovanni Papini
28 de setembro de 2005
27 de setembro de 2005
Processar inocentes
Sobre a greve dos Magistrados
Permito-me acrescentar, os juízes não são, nem se podem considerar, funcionários públicos. As suas atribuíções vão muito além do desenvolvimento de uma qualquer função pública.
26 de setembro de 2005
Ainda a nova acção executiva
Estado apoia e incentiva o não pagamento das dívidas...
Pergunto-me, não estará o Estado a incentivar e a promover o não pagamento, pelos devedores, do que devem?
É que acabei de ouvir as novas propostas do Ministério da Justiça para obviar às demoras na justiça. São elas, nomeadamente, a desistência dos processos de cobrança por custas judiciais; a isenção de custas judiciais a quem desista das acções de cobrança de dívidas e possibilidade de devolução de IVA...
A acção executiva é um caos absoluto...
Por uma lado, dar entrada com uma execução em tribunal é uma aventura desesperante. Primeiro é preciso fazer a inscrição na página do Habilus. Depois, é preciso preencher 7 folhas de impressos imperceptíveis, com mil e uma informações (nem a polícia, quando abre um inquérito, precisa de tanta informação), depois é preciso salvar o que se esteve a preencher na página. Por é preciso esperara que o sítio permita dar entrada com a execução. Em suma, o que antes se fazia em 15 minutos, leva hoje, 3 horas... Depois é preciso esperar que os funcionários judiciais percebam o suficiente para conseguirem abrir o que estivemos a fazer e dêm andamento ao processo.
Por outro, as custas da acção executiva, juntamente com os honorários do solicitador de execução, tornam práticamente impossível executar dívidas de valor inferior a 500,00 € (e mesmo assim convém ter a certeza de alguns bens do devedor). Por e simplesmente, não compensa. Em vez de se ficar a "arder" com 500,00 €, fica-se com um rombo no orçamento de 1.000,00 €uros...
Tenho algumas dúvidas quanto ao sucesso da nova acção executiva e o seu contributo para a celeridade processual.
24 de setembro de 2005
Afinal não...
Quer dizer, o homem trabalha 4 meses, só faz asneiras e ainda por cima recebe um prémio de consolo pelo que fez... Alguém acredita neste país??
"Se isto é a democracia, tenho vergonha de ser democrata!"
22 de setembro de 2005
...
Adenda ao "post" anterior
Se quiserem acompanhem a discussão que por lá anda.
Fica o sítio: http://solvstag.blogspot.com/2005/09/uma-deciso-discutvel.html
21 de setembro de 2005
Escutas telefónicas
Pode ser encontrado em, na sua versão integral aqui:
20 de setembro de 2005
Portugal dos pequeninos.
Mas sempre fui um "fundamentalista" no que respeita ao futebol. Não gosto de ver, jogar ou de qualquer outra coisa que lhe diga respeito.
Custa-me saber que um dos jornais mais vendidos em Portugal seja um desportivo e que um dos programas mais vistos em Portugal seja a um jogo de futebol português ou um qualquer reality show. Admito que não sejam equiparáveis, mas também não é esse o propósito deste post.
Sou bastante crítico no que respeita à realidade cultural do nosso pais e da mediocridade cultural que parece institucionalizada, começando na nossa classe política e acabando nas nossas escolas. Escusado será dizer que existem excepções, bastantes, mas de longe constituem a maioria.
Parece-me paradigmático do que falo o exemplo (que me asseguraram ser verídico) de um presidente de câmara que recusou a instalação de uma Fnac no seu concelho, primeiro por desconhecer, sequer, o que fosse tal “modernidade”. Uma vez esclarecida a ignorância do autarca, manteve a recusa com o fundamento de que no concelho já havia muitas livrarias e lojas de música.
Permitir-se-lhe-ia a "nega", se em causa estivessem em causa a protecção dos pequenos lojistas, mas acreditem (conheço bem o concelho em questão) não é, nem o concelho, nem o autarca, um acérrimo defensor dos ditos lojistas. Conclusão: a fnac lá se acabou por instalar num concelho limítrofe.
Pensava ser este o ponto mais baixo, o pior, dos exemplares que pululam no nosso país, "bola" um domingo inteiro, novelas a partir das nove, "reality show" depois da novela, "A Maria" enquanto se espera pelo autocarro - para elas - jornal "A bola" para eles, desconhecer o que se passa no resto do mundo, mas saber quem é que namora com quem, quem foi á festa da em casa não sei de que diminutivo, etc, etc...
Dizia eu, pensava ser isto o pior do que havia em Portugal, até ter assistido, num dos telejornais nacionais, a uma manifestação do PNR, e das declarações dos seus ignóbeis participantes.
Não critico, em si, a manifestação.
Agora que, para se ser membro do PNR é imprescindível ser-se completamente desprovido de inteligência e assumir-se a todos os ventos a estupidez que graça o espírito, parece-me incontestável. Onde o que interessa é expressar o ódio pelos emigrantes, pelos homossexuais, equiparar um pedófilo a um homossexual, ou afirmar-se, convictamente, que 80% dos pedófilos são homossexuais. Quanto a argumentos que justifiquem as afirmações ou que corroborem as estatísticas, levou-os o vento. É o que dá não ter nada na cabeça, as correntes de ar dão-lhes cabo das ideias.
Lembro-me a este respeito de um “cartoon” do independente (o do cão e do pedinte de rua) em que o “cão” afirmava para o pedinte (já devidamente caracterizado de “skinhead”) que para a transformação estar completa, só lhe faltava uma coisa: a lavagem cerebral. A ideia não poderia ser melhor ilustrada.
Mil vezes o Zé Manel, o jornal "a bola" (as minhas desculpas aos seus leitores habituais que não se inserem nas classes a cima descritas), as dúvidas da "Maria" e as previsões da Maia.
Ao menos é uma pobreza de espírito que não contamina.














